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11 de maio de 2010

O sinal da Unigênita - para servidores públicos

Há algum tempo tenho ouvido alguns colegas servidores públicos manifestarem, mais ou menos explicitamente, uma inclinação pró-Dilma. É um tanto natural, afinal, que a candidata apoiada por um governo que compensou a defasagem salarial de cerca de uma década, promovida pelo PSDB, desperte simpatias no funcionalismo. Eu, no entanto, apesar de servidor público também, não corroboro tal simpatia. Até ontem, eu podia argumentar meu ceticismo com relação à Unigênita apenas de um ponto de vista mais especulativo (afinal, ninguém sabe a que veio essa mulher, até agora). Mas, com a publicação das últimas notícias, já tenho um fato em que me apoiar.
Bem, o meu raciocínio para os servidores públicos é o seguinte: se de fato Dilma pretende reforçar a presença do Estado na economia, ela precisa de dinheiro para isso. Sei que bons economistas verão aí um cálculo simplista, mas é basicamente isso: se o Estado de Dilma vai ser algo mais que regulador e promotor de programas sociais de distribuição mínima de renda, ele precisará de capital para investir. Especialmente nos moldes que o PT vem indicando (com relação aos setores de minas e energia e comunicações, principalmente). Nesse ponto, não devemos acreditar muito que as chamadas “parcerias público-privado” serão uma panacéia. Afinal, o setor privado não vai aceitar investir mais capital que o Estado se este não der, em retorno, alguma garantia.
Então, supondo que o modelo de Estado de Dilma seja algo mais do que um recurso retórico mal formado para acalmar possíveis investidores preocupados com a instabilidade atual da economia, ela vai precisar de dinheiro para patrocinar essa “presença”. A forma mais direta para isso vai ser liberar uma parte do orçamento para investimentos. E como o orçamento é o resultado de um mar sem fim de negociações baseadas em interesses específicos e regionais... bom, dá pra imaginar que não vai ser fácil.
Ora, qual é o gasto que um governo tem mais à mão? A folha do funcionalismo, claro. Mesmo que não possa reduzi-la, ele pode congelá-la, por duas boas razões: diminuir o custo das negociações no parlamento (focando seus esforços em conseguir espaço para investimentos) e aumentar a porcentagem final de capital no orçamento. Ou seja, Dilma terá duas boas razões práticas, exigidas por seu modelo de Estado, para deixar os servidores outra década sem um reajuste salarial real.